sábado, 7 de novembro de 2015

Obama rejeita oleoduto Keystone XL por razões ambientais

Presídente Obama Rejeita Oleoduto Keystone XL Por Razões Ambientais

Presídente Obama Rejeita Oleoduto Keystone XL Por Razões AmbientaisPresidente dos EUA põe fim a uma discussão que começou há sete anos e diz que é possível "promover o crescimento económico e proteger o ambiente ao mesmo tempo".

O Presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou esta sexta-feira a sua decisão final de não autorizar a construção do Keystone XL, um oleoduto que começou por ser um projecto rotineiro para transportar petróleo extraído no Canadá mas que se transformou num símbolo do combate às alterações climáticas.

A decisão já era esperada, depois de Obama ter vetado uma proposta do Congresso para o início da construção do oleoduto, em Fevereiro passado, mas os argumentos utilizados pela Casa Branca vieram dar mais força aos ambientalistas, a menos de um mês do início da conferência sobre alterações climáticas, em Paris.

"A América é um líder mundial nas acções sérias de combate às alterações climáticas. Com toda a franqueza, a aprovação deste projecto teria prejudicado essa liderança mundial, e neste momento o maior risco que enfrentamos é o de não agir", disse Barack Obama, numa declaração feita ao lado do seu vice-presidente, Joe Biden, e do secretário de Estado, John Kerry – um indicador da importância deste assunto nos EUA.

"A questão fundamental é que as regras antigas diziam que não podíamos promover o crescimento económico e proteger o nosso ambiente ao mesmo tempo, mas isto é a América, e nós criámos novas formas e novas tecnologias para derrubar as regras antigas", disse Obama.

O Keystone XL era a última fase de um gigantesco sistema de oleodutos com capacidade para transportar o equivalente a mais de 800.000 barris por dia desde a província de Alberta, no Canadá, ao estado do Texas, nos EUA. Três dos cinco oleodutos estão em funcionamento e um outro ficará concluído nos próximos meses, mas o último, o Keystone XL (que na prática serviria para encurtar uma distância já coberta por outro oleoduto, entre Alberta e o estado do Nebraska), fica assim por concretizar por decisão do Presidente Barack Obama.

Apesar de se ter tornado num símbolo das tensões entre o crescimento económico e as preocupações ambientais, os estudos do Governo federal dos EUA indicavam que o Keystone XL teria pouco impacto tanto na criação de empregos como no aumento de emissões.

"Durante anos, o oleoduto Keystone XL ocupou um lugar sobrevalorizado no nosso discurso político. Tornou-se num símbolo, muitas vezes usado como arma de campanha por ambos os partidos, em vez de ser um assunto sério sobre políticas. Tudo isto escondeu o facto de que este oleoduto não seria uma solução mágica para a economia, como alguns prometiam, nem uma auto-estrada para desastres ambientais, como outros proclamavam", disse Obama esta sexta-feira.

Ao longo dos últimos sete anos, desde que a empresa TransCanada Corp. pediu uma licença para construir um oleoduto entre a província de Alberta e o estado do Nebraska, os defensores do projecto disseram que seriam criados dezenas de milhares de postos de trabalho, mas a Administração Obama argumentou que o impacto seria negligenciável – cerca de 42.000 pessoas teriam trabalho apenas durante os dois anos da construção do oleoduto, 3900 de forma directa e os restantes de forma indirecta, em serviços de apoio como a restauração; e só 35 postos de trabalho seriam criados de forma permanente.

A decisão final de Obama é anunciada estrategicamente a poucas semanas da cimeira do clima, em Paris, e dias depois da eleição do novo primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau – apesar de ter lamentado a decisão da Casa Branca, Trudeau estava longe de olhar para o oleoduto como um assunto essencial nas relações entre os dois países, como fez o seu antecessor, Stephen Harper.

Para além das reacções negativas de vários líderes políticos dos estados do Montana e do Nebraska (tanto do Partido Republicano como do Partido Democrata), o anúncio de Obama foi também criticado pela indústria dos combustíveis fósseis.

"Ele fez pouco dos mais de dois terços de americanos que defendem a redução das importações de energia a partir de países hostis; que apoiam a criação de emprego; que apoiam as relações amigáveis com os nossos vizinhos do Canadá; e que apoiam decisões baseadas na ciência e não na política", disse Michael Whatley, vice-presidente da Consumer Energy Alliance.

 

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