quarta-feira, 8 de junho de 2016

Alimentos Transgênicos
Alimentos TransgênicosAlimentos Transgênicos:Muitas vezes recebemos informações sobre alguns alimentos classificados como milagrosos, e em outras ocasiões, outros alimentos se tornam vilões. São modismos e logo não ouvimos mais nada a respeito.

Ultimamente, graças às avançadas pesquisas no campo da genética, está sendo possível desenvolver alguns tipos de alimentos que poderão ser de grande valia nas fases de cultivo, por exemplo, onde um gene modificado impedirá o ataque de alguma praga.
Porém, até onde vai a segurança em relação ao consumo desses tipos de alimentos? Será que os alimentos transgênicos fazem mal? Serão apenas fatos alardeados sem o real conhecimento de causa? Vamos entender melhor abaixo. Vale a pena ressaltar que esses são os pontos de vista atualmente aceitos pela maior parte dos cientistas.
O que são alimentos transgênicos? 
Alimentos transgênicos ou alimentos modificados geneticamente são obtidos através da engenharia genética, visando melhorar sua qualidade e seus valores nutricionais, sendo necessário para isso buscar em outro tipo de organismo algo que possa complementá-lo.
Geralmente, esse tipo de desenvolvimento é feito para melhorar a qualidade e produtividade desses alimentos, bem como isentá-lo do ataque de pragas na lavoura, como fungos, bactérias, vírus e etc, tentando, dessa forma, diminuir o uso de herbicidas e agrotóxicos, permitindo que resistam mais tempo ao transporte e armazenamento.
Como se faz essa manipulação? 
É possível, por exemplo, inserir fragmentos de DNA de um vírus a uma semente, visando torná-la mais resistente às pragas, dessa forma, essa planta produziria toxinas que impediriam que fossem atacadas e destruídas em grande parte.
Mas, ao ingerirmos esse vegetal, não estaríamos expostos às mesmas toxinas? Até que ponto isso poderia ser prejudicial à nossa saúde?
Por exemplo, no caso do milho, essa manipulação se faz introduzindo o gene de uma bactéria (Bacillus thuringiensis), que possui uma capacidade de controle de insetos. Esse milho passa a se chamar Bt, devido ao nome da bactéria, e a partir de então, a lavoura cultivada com esse tipo de milho torna-se menos suscetível às infestações por insetos e larvas.
Os maiores mitos sobre os alimentos transgênicos
Agora que já temos uma noção do que são os alimentos transgênicos e teoricamente para que serviriam, vamos entender o lado B da questão, ou seja, será mesmo que tudo o que se atribui aos alimentos transgênicos pode ser entendido como fato real? Vamos falar um pouco mais sobre os mitos e verdades em relação a eles.
1. Erradicar a fome mundial: mito 
É um belo instrumento de marketing para tentar convencer as pessoas sobre o valor dos transgênicos, mas a fome mundial não está relacionada à pouca produção de alimentos, mas sim à péssima distribuição de renda mundo afora, onde muitos jogam comida fora, enquanto outros passam dias sem ter o que comer.
2. É uma tecnologia recente demais, por isso é perigosa: mito
Isso não é verdade. Há mais de 30 anos se estuda esse tipo de alimentos. Nesse período, mais de 1700 estudos foram publicados sobre o tema, focando segurança, meio ambiente e saúde. Não houve, até o momento, nenhum estudo que qualificasse os alimentos transgênicos como um perigo à saúde pública.
3. Transgênicos promovem mutações que causam câncer: mito
Até então nada foi comprovado nesse sentido. Sabemos que a preocupação tem fundamento, pois, na teoria, um novo gene poderia desenvolver uma proteína diferente, que teria potencial para desencadear alguma anomalia e até mesmo mutações, inclusive reações alérgicas. 
No entanto, nenhum alimento transgênico é liberado sem antes passar por testes laboratoriais e pesquisas de campo; inclusive, quando os resultados não forem satisfatórios, sua liberação poderá ser proibida pelas autoridades responsáveis.
4. As pesquisas sobre os transgênicos são tendenciosas: mito
Talvez nesse caso possa ter entrado a Teoria da Conspiração, onde se pressupõe que as maiores empresas produtoras de pesticidas e sementes estariam por trás das pesquisas e manipulariam seus resultados a seu favor. 
Porém, pesquisadores independentes, de vários lugares pelo mundo, realizam pesquisas periodicamente, onde os resultados não vão de encontro a essas afirmações conspiratórias, mesmo porque a própria Organização Mundial de Saúde afirma que os alimentos transgênicos liberados são seguros.
5. Não é seguro comer alimentos modificados geneticamente: mito
A quantidade dos transgenes é absurdamente ínfima. Citando ainda o milho como exemplo, os transgenes presentes chegam a 0,0001% do DNA total, ou seja, praticamente nada. Esse índice se repete em outras plantas.
6. Os transgênicos exigem menos pesticidas nas lavouras: verdade
Segundo Bruce Tabashnik, entomologista a Universidade do Arizona, o milho transgênico Bt (que citamos anteriormente), não só exige muitíssimo menos pulverizações com pesticidas, como também o grau de toxicidade desses venenos é bem menor que os utilizados nas lavouras tradicionais.
7. Os transgênicos destroem insetos benéficos: verdade
Em parte sim, uma vez que não há como impedir que eles estejam presentes nas lavouras de transgênicos, mas mesmo assim esses alimentos ainda são mais seguros do que os pulverizados com agrotóxicos.
8. Há pesquisas contrárias aos transgênicos: verdade
Todas as pesquisas, sejam elas favoráveis ou contrárias aos alimentos transgênicos, para serem levadas a sério, precisarão ter sido publicadas por revistas científicas idôneas, onde o pesquisador tenha provado que seguiu todas as normas científicas durante o desenvolvimento e conclusão de seus estudos.
9. Alimentos mais baratos: verdade
Os custos do plantio caem consideravelmente devido à redução com os gastos com agrotóxicos e pesticidas, diminuindo também os custos de manejo, o que, em tese, deveria ser repassado ao consumidor final.
10. Menor agressão ao meio ambiente: verdade
Quanto menos pulverizações de inseticidas sobre as lavouras, menor será a contaminação ao meio ambiente, incluindo o lençol freático.
11. Desenvolvimento de insetos mais resistentes: verdade
Quando uma lagarta de lavoura transgênica cruza com uma lagarta comum, isso trará uma nova de geração de lagartas resistentes aos herbicidas.
Legislação vigente 
Segundo o decreto de rotulagem de 2003 (decreto 4680/03), as empresas da área alimentícia, bem como os produtores e revendedores, deverão identificar seus produtos com o símbolo abaixo quando houver mais de 1% de matéria prima transgênica no alimento.
Segundo os dados de 2010, estima-se que 9,6 % das lavouras brasileiras empregam transgênicos. As pesquisas sobre organismos geneticamente modificados (OGM) são conduzidas pela Embrapa. 
Em 2005, criou-se a lei de Biossegurança (Lei 11105/05), onde se estabelece que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio) é a responsável pela autorização de plantio e comercialização desses alimentos, após estudos criteriosos, elaborados por especialistas, que avaliam os dados e informações científicas sobre o alimento, bem como os impactos ambientais, e na alimentação de seres humanos e animais, para então seu plantio ser liberado.
Considerações finais
Provavelmente já consumimos alimentos geneticamente modificados muitas vezes, sem nos darmos conta disso. O fato é que o feijão desenvolvido geneticamente pela Embrapa é a segunda planta transgênica desenvolvida por uma instituição com recursos públicos no mundo, e está em vias de chegar aos pratos dos cosumidores, bem como outros alimentos transgêncios cujos estudos estão em estágio bastante avançados como a soja, algodão, cana, milho e algumas hortaliças.
Parece inevitável o consumo dos alimentos transgênicos, e mediante o tempo que levam para serem liberados, o que pode chegar a anos e anos entre estudos, pesquisas e testes, acredita-se que não sejam tão prejudiciais quanto dizem.
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